AS PALAVRAS ESCRITAS E LIDAS
(por ordem alfabética)
MARIA IVONE VAIRINHO
Quero aproveitar este momento para, publicamente e perante todos os presentes, aqui expressar a minha particular gratidão à Exmª. Senhora D. Maria Ivone Vairinho, por tudo o que ela, desde que foi empossada como Presidente da Associação Portuguesa de Poetas, tem vindo a partilhar connosco, dos seus méritos pessoais, que são inúmeros.
No meu entendimento não é fácil encontrar uma Mulher – e escrevo mulher com letra grande! - que, com abnegação e capacidade superiores, seja capaz de devotar ao sonho poético que nos envolve a todos, aquele bem que ele possui que é o de irmanar-nos no mesmo projecto, apagando-se por si mesma, das múltiplas homenagens que tem vindo a fazer a tanta gente, eu incluído.
Não esqueço – e refiro-o aqui, porque pode estar apenas no subconsciente de cada um e é importante que isso se traga a público – a abertura que esta senhora vem fazendo da riqueza das suas relações pessoais, para nos franquear as portas do Palácio Galveias, em Lisboa, da Livraria-Galeria Verney, em Oeiras ou da Biblioteca Camões, no centro da capital. De nos trazer ao convívio, para gáudio de nós todos, figuras de proa no mundo do pensamento e da literatura como o Dr. Barroso da Fonte ou os grandes poetas António Manuel Couto Viana e Ulisses Duarte, em cuja obra muito se pode aprender.
Não esqueço, também, o seu espírito de devoção à causa poética, manifestado claramente junto dos associados da APP, no ano findo, e sempre que foi necessário, mesmo que preocupada em extremo com o grave problema de saúde de seu marido.
Relembro, mesmo, a sua constante disponibilidade para nos trazer a todos uma palavra amiga ou de conforto, naqueles momentos difíceis que a vida nos põe no caminho e nos quais nos sentimos carentes de um ombro fraterno que partilhe as nossas lágrimas...
Eu sei – e todos o sabemos! - que, mulheres desta craveira de sentimentos e de dádiva aos outros, procurando dar muito mais do que recebe, na busca de ajudar a crescer as pessoas com quem convive, com muita dificuldade conseguimos encontrar, uma aqui, outra acolá, no nosso trajecto pela vida fora. Encontramos, normalmente, e a nível muito restrito e muito particular, a nossa mãe. Eventualmente, um único e milagroso amor que Deus nos pôs no caminho. Uma assistente social ou uma enfermeira que não foram embotadas pela dureza da profissão. Uma ignorada professora primária que vê nos seus alunos das primeiras letras... outros filhos com que a sociedade a presenteou.
Em Maria Ivone Vairinho – pela sua entrega à vida que sobraça – pela sua dedicação ao mundo da Poesia – pela verticalidade da sua postura perante o mundo –... eu descubro o exemplo maior do comportamento humano perante os semelhantes.
E o que é extremamente louvável – nela – é sentirmos na singeleza do seu tratamento para com os outros, que, metaforicamente, nos vai estendendo as suas mãos para nos ajudar a darmos mais um passo em cada dia. A indicar-nos em silêncio, mesmo na mudez da palavra, que a vida se conquista com trabalho, com dignidade e respeito pelos menos afortunados, e com a partilha da nossa riqueza moral com vista à construção duma sociedade mais perfeita e mais justa.
Por tudo isto – que tão pouco é do seu retrato espiritual – o nome de Maria Ivone Vairinho impõe-me, neste momento, que aqui lhe testemunhe o meu apreço muito especial, pelo que ela representa como MULHER.
E faço-o com o maior gosto, com a palavra mais modesta mas também mais sincera e verdadeira que o meu léxico comporta.
Com a palavra OBRIGADO! Por tudo quanto ela é!
Com a palavra OBRIGADO! Pela forma vivida como diz os poemas dos outros e lhes dá continuidade oral ao que foi escrito!
Com a palavra OBRIGADO! Pela grandeza da figura que criou na qual soube aliar o ser Mulher... ao ser Senhora!
OBRIGADO, pois, Maria Ivone Vairinho!
Muito OBRIGADO por tudo o que nos deste... sem nada termos feito para o merecermos!
Lisboa (no Vává), em 01/03/2008
JOÃO BAPTISTA COELHO
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